Objetividade do conhecimento científico

1. Objetividade em ciência

A objetividade científica é tacitamente aceite pela sociedade em geral. Quando pensamos em conhecimento científico pensamos em rigor, eficácia, verdade e, acima de tudo, cientistas neutros e imparciais que trabalham com leis e regras metodológicas rigorosas de modo objetivo. A tendência para usar o conceito de objetividade para separar o conhecimento das ciência empíricas do conhecimento obtido em ciências humanas é comum.

Todavia, Kuhn e outros teóricos da ciência têm vindo a mostrar que a ciência não é tão objetiva quanto se pensava, pelo menos não no sentido forte que Popper defende – i.e. que nunca nenhum traço extra-epistémico poderá decidir a escolha de uma teoria científica.

Em jeito de síntese, apresenta-se o seguinte quadro esquemático da análise do vídeo sobre a evolução da ciência.

 

A Evolução da Ciência

1. O que tem de especial o conhecimento científico?

Ao longo da história, o Homem tem revolucionado o modo como entendemos o mundo, especialmente, a forma como compreendemos aquilo que nos rodeia. Hoje, de uma forma mais tecnológica os cientistas ajudam-nos a viver melhor, propõe novas ferramentas para nos auxiliar com os problemas do dia-a-dia, desafiam as leis do universo, invadindo o nosso quotidiano com novas formas de concebermos a realidade que nos rodeia.

Talvez porque na generalidade todas as pessoas esperam que os cientistas respondam aos nossos problemas de forma objetiva, rigorosa e clara, a humanidade foi desenvolvendo confiança de que a ciência, de uma qualquer forma, nos oferece um conhecimento fiel e verdadeiro acerca do real. Os cientistas são geralmente classificados como pessoas honestas, integras e eticamente corretas. Mas, será que a ciência tem um estatuto ‘superior’ de imparcialidade e rigor face às restantes formas de abordar o real (história, sociologia)? Pode a ciência ser imune a factores de ordem subjetiva (tais como crenças, valores, convicções)? Será que as revoluções científicas ocorreram sempre apenas em função do aparecimento de uma evidência? É a racionalidade que governa a ciência? Podemos hoje dizer que estamos mais próximos da verdade?

A relação dos factos com os valores em ciência permanece um debate acesso em filosofia da ciência, tornando-se cada vez mais difícil distinguir aquilo que conta como valor epistémico e não epistémico no interior do funcionamento da ciência.

2. Popper vs Kuhn

Popper e Kuhn desenvolveram diferentes perspetivas sobre o funcionamento da ciência e, consequentemente, diferentes ideias sobre o papel da racionalidade e objetividade.

Segundo Popper  o conhecimento científico é objetivo, a sua evolução é racional e a ciência aproxima-se da verdade através do método de tentativa e erro (conjeturas e refutações)

Segundo Kuhn, o conhecimento científico não é marcado por critérios racionais mas, por fatores de ordem subjetiva (crenças, valores); a ciência avança por meio de rupturas e mudanças de paradigma,  não sendo possível saber se o novo paradigma se encontra mais próximo da verdade (incomensurabilidade dos paradigmas).

2.1 Visualização do vídeo:

 

2.2 Guião de visionamento:

 

O que são os valores?

Definir os valores é uma tarefa complexa. Valorar significa dar significado ou dar sentido a uma coisa. Os valores pressupõem, assim, a existência de um sujeito (com intenções e racionalidade) que valoriza as coisas que o rodeiam, demonstra preferências.

Assumindo que os valores são entidades abstractas que manifestam um papel importante na tomada de decisões dos indivíduos, os valores assumem-se como guias ou ideias que orientam a relação do mundo do sujeito com o mundo das coisas. Quando as pessoas realizam acções apresentam geralmente razões para justificar as intenções que lhes estavam implícitas. Estas razões podem assumir a forma de argumento:

Ex. Não fui capaz de mentir ao Artur. É contra os meus princípios mentir, sobretudo, quando sei que não vai existir nenhum benefício. O Artur ia acabar por descobrir e sofrer muito mais, por isso, preferi dizer a verdade.

Imaginar um mundo em que os homens não estabelecem uma relação valorativa com as coisas é imaginar autómatos incapazes de relações preferenciais.

Problema da justificação do Estado

1. PROBLEMA DA FILOSOFIA POLÍTICA: COMO DEVE ORGANIZAR-SE A SOCIEDADE?


2. PROBLEMA: Por que devemos obedecer ao estado? Como se justifica o poder a autoridade do estado? Por que razão consentimos ser governados pelo estado?

O que é o ESTADO? Uma entidade política que organiza a vida social, formada por:

  1. Um território (cidade ou país) habitável;
  2. – Uma população constituída por membros (cidadãos) se relacionam socialmente entre si;
  3. – Um governo com poder para estabelecer leis e usar a força, de modo a regular o comportamento dos seus membros dentro de certos limites.

3.   A AUTORIDADE DO ESTADO É LEGÍTIMA?

Há quem não concorde com a ideia de que o estado é legítimo, considerando que viver num estado não é melhor do que a vida numa sociedade sem estado/autoridade/poder, pelo que não há justificação para o uso do poder político: NADA JUSTIFICA A SUA AUTORIDADE. Concorda?

Análise do seguinte spot institucional:

GUIÃO DE VISIONAMENTO:

4. ANARQUISMO

Jobs in Philosophy

Existem alguns portais de emprego generalista que incluem nas suas listas emprego para professores de Filosofia. Porém, especializadas em empregos proporcionados para candidatos de filosofia não conheço, pelo menos em língua portuguesa. Até agora, a melhor página que descobri para encontrar trabalho em filosofia foi a jobsinphilosophy.org. Através desta página já participei em 2 concursos e conquistei um posto de trabalho, nos EUA.

Os interessados em investigação, doutoramento ou mesmo fellowships também devem navegar por esta plataforma repleta de diferentes tipos de oportunidades em universidades, institutos  e centros de investigação. Todos os meses surgem novos concursos , em diferentes partes do mundo (Europa, Asia e EUA). A oferta europeia é bastante generosa e as áreas de destaque são mesmo as “mais tecnológicas”, ligadas à epistemologia, cognição, etc. Na minha última internship nos EUA constatei que os trabalhos de eticista têm grande procura, assim como a ética aplicada a instituições, grupos de investigação médica, etc.

Imagem

Doutoramento em Filosofia da Ciência financiado (FC)

É com enorme entusiasmo e, simultaneamente, alguma inveja saudável (uma vez que o meu plano doutoral termina este ano) que trago uma  novidade fabulosa para os amantes de filosofia da ciência, investigadores, licenciados, professores e/ou amadores.

Foi submetido e aprovado um programa doutoral internacional em Filosofia da Ciência, Tecnologia, Arte e Sociedade, com início previsto para o ano lectivo de 2014-2015. Vão ser atribuídas  5 bolsas anuais, sendo que 3 são bolsas mistas. É uma excelente oportunidade para a realização de projectos únicos que envolvam centros de investigação estrangeiros!

Todavia, existe um pequeno contratempo para aqueles que são, tal como eu, habitantes do norte do país. Este programa é dirigido pela Professora Olga Pombo, membro do um excelente centro de filosofia das ciências, localizado nem Lisboa – CFCUL – e este programa doutoral tem a participação de instituições localizadas na zona de Lisboa, tais como FCUL, FLUL, a única referência fora dessa zona é feita à Universidade de Aveiro.

As candidaturas estão abertas a partir de 15 de Fevereiro de 2014. Para mais informações consultem o blog Doutoramento FCTAS e o call for applications.

Boas candidaturas!

LIVRO DE INTRODUÇÃO AO CONHECIMENTO

1. INTRODUÇÃO À TEORIA DO CONHECIMENTO

Descobri na passada semana um livro fantástico para a introdução da temática do conhecimento. Livros sobre Conhecimento ou mesmo introdutórios à temática do conhecimento não são uma novidade, muito menos vindos de uma vertente anglo-saxónica, com uma dosagem simplista e cientificamente arrojada. Porém, este livro é realmente uma excelente novidade porque: i) não trata as questões como “entes supremos”, distantes do universos dos estudantes e, ii) apresenta exemplos modernos fantásticos, recorrendo a personagens e filmes conhecidos. É exactamente aquilo que se pretende que a filosofia seja, um espaço real de discussão que está presente nas práticas quotidianas – o que quer que seja o quotidiano de cada um!

Teoria.Conhecimento.O´Brien

Sentei-me a consultar este livro e acabei por o trazer para casa pois reconheci no mesmo uma enorme potencialidade didáctica. Depois de o explorar, verifiquei que apesar de recente, é já uma referência em alguns sites filosóficos. Parece-me ser um bom investimento para todos os investigadores e professores interessados em colocar em ordem esta temática e acrescentar conhecimento.A linguagem está de acordo com os padrões modernos da comunicação das novas gerações (o que é óptimo!), plus o livro faz uma cartografia da história das teorias do conhecimento, vai desde Platão até à teoria informacional de Dretske (algo um pouco mais sofisticado), passando por autores como Quine e a  epistemologia naturalizada.

Gostei muito do que li, seria capaz de efectuar uma resenha fantástica. Todavia, em primeiro lugar, está a minha necessidade de o publicitar junto daqueles que procuram bons materiais para evoluir no seu trabalho: este livro é um desses materiais! Parece-me viável a utilização de alguns excertos de forma unilateral nas aulas, em sintonia com pontos programáticos, tais como o problema de justificação de crenças e a existência de um mundo exteriorsão bons textos para serem trabalhados e analisados em aula.

Embora não seja tão auxiliar como o livro Introdutório sobre Religião que postei em tempos aqui no blog, é uma excelente fonte de informação e, em alguns momentos, o autor recorre a exemplos oriundos do mundo do cinema, como por exemplo, ao filme  de Christopher Nolan – será útil apresentar o excerto, no caso de ser visualizado e discutido o filme – assim como de Clint Eastwood e, como não podia deixar de ser, ao Woody Allen. Era um livro destes que andava à procura para esta área programática que estivesse ao nível do livro Problemas da Filosofia e do livro  Lógica: Curso Introdutório de Newton Smith (igualmente da gradiva).

Sou apologista de poucos livros, mas bons, capazes de nos satisfazerem ao nível que esperamos, no interior da temática que procuramos. Este poderia ser um livro de auxílio uma cadeira na universidade. Atrevo-me mesmo a dizer que devia ser – a par da linha orientadora de um professor. Parece ser mesmo isto que falta a muitos dos nossos alunos: organização, sistematicidade e, acima de tudo, acessibilidade. Todos podemos dominar o básico se formos auxiliados no caminho. Descomplicar e esclarecer  devem ser os princípios.

A apresentação do livro está a ser um sucesso, quer nas minhas aulas, como na de outros professores no ES, alguns até já o pediram emprestado, outros para fotocopiar.

Boas leituras🙂

50 Lições de Filosofia

1. UM NOVO MANUAL EM FILOSOFIA QUE ME AGRADOU BASTANTE!

Este manual é uma novidade, descobri este ano aquando da realização de um trabalho conjunto com um colega de secundário e posso aferir que é muito bom como livro de apoio. Embora a minha experiência com este livro não tenha sido muito longa (tenho leccionado no ensino superior), o contacto que tive foi suficiente para reconhecer que é um bom investimento para os professores que pretendam ir um passo mais longe.

50LF

Além dos habituais recursos didácticos e testes, podemos encontrar vídeos, planos de lições que são muito úteis, sobretudo, aos estagiários –  quem me dera ter tido esta qualidade no meu ano de estágio – e apresentações multimédia que conduzem a filosofia para um nível de interactividade que sempre desejei com a criação deste blog e que raramente se vê em manuais e/ou outros instrumentos. E, só por isso, já merece estar na lista de recomendações! Acredito que a filosofia pode ser tão prática e dinâmica como qualquer outra disciplina, os professores de filosofia não têm necessariamente que ser alvo de chacota tecnológica, um texto é tão bom, como uma leitura digital ou mensagem num computador… E, eu sou claramente esse exemplo quando lecciono e apresento os meus recursos preparados para serem exibidos no quadro interactivo. Não existem limites num mundo como o de hoje, por isso, mais materiais com a qualidade destes são bem-vindos! Estaria até disponível em realizar manuais mais gerais (que não os meus pessoais) para a utilização do quadro interactivo.

A acrescentar a todas estas coisas positivas que descrevi, existe igualmente um blog onde é possível aceder ao maual em formato digital, discutir questões e fazer sugestões. É tão bom que nem parece real: 50LF

OBJECÇÕES AO EGOÍSMO

2- Devemos ser egoístas?

1. O QUE HÁ DE ERRADO COM O EGOÍSMO ÉTICO?

A atitude egoísta é precisamente contrária à atitude ética, segundo a qual devemos considerar sempre o “outro”, a sua mundividência, interesses, desejos e vontades,  procurando enquadrar a nossa felicidade num contexto de felicidade universal, em que o “outro” não seja prejudicado.

Apresentam-se, assim, três objecções generalistas ao egoísmo ético:

1) O egoísmo ético tira todo o sentido a uma parte importante da ética que consiste na actividade de aconselhar e julgar – com o EE deixa de existir espaço para estas atitudes, pois o “eu” coupa o lugar central na escolha das acções.

2) O egoísmo ético é moralmente inconsistente: não pode ser adoptado universalmente – caso contrário, a ética perdia a sua principal característica (ser universal) – não queremos um mundo em que se perca a ajuda do próximo sem benefício próprio, uma ética desenraizada.

3) O egoísmo ético derrota-se a si próprio: se uma pessoa optar por agir indiscriminadamente de forma egoísta, terá uma vida pior do que teria se não fosse egoísta, pois as nossas acções estão ligadas a outras pessoas, das quais depende o efeito das nossas acções. 

Todas estas objecções podem ser contra-argumentadas, pois para os egoístas, a ética “pura” não existe, os ser humano age em função de interesses e, se estes interesses estiverem de acordo com o seu bem-estar e o do “outro”, melhor – embora não seja sua obrigação que o bem-estar seja adequado.

Texto 3: Dilema do Prisioneiro

Para colocarmos a nossa mente a funcionar em relação à possibilidade de sermos ou não egoístas e de que forma o egoísmo pode ser perspectivado, vamos posicionar-nos criticamente em relação ao seguinte dilema:

Um blog de origem ´fungosa´

Para os mais audazes, aspirantes à resolução de problemas do quotidiano, eis que vos apresento um blog curioso. Despretensioso pelas enigmáticas trivialidades de cunhas humorísticas, este espaço dispõe, de forma original, alguns contos hilariantes sobre as banalidades que assaltam o comum do cidadão no seu quotidiano. Estas banalidades à partida inquinadas são objecto de prazer único e exclusivo de um verdadeiro filósofo.

Captura de ecrã 2013-10-18, às 17.34.45A ironia conduzida com mestria pela filósofa e amiga, Maria Matos Graça, encontra-se agora à disposição de todos os curiosos que desejam aprender que o cogumelo é mais do que um fungo…

O Cogumello Philosophico